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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O futuro cresce dentro de mim

"Cresce dentro de mim um futuro 
cheio de pressa. Inesperadamente, 
uma janela abre-se no meio da neblina 
e as labaredas misturam-se com as águas do mar
numa tormenta inexpugnável e solitária. 

Uma eternidade é uma eternidade. 

Há nas entranhas um cheiro a Terra 
e a Luz. Replicam-se as dores, a paz tem rosto.
Mergulho sem lágrimas no sentido frio 
das coisas que não se explicam.
Hei-de levar o meu sonho através da carne
que palpita a cada passagem do tempo.
Dentro de mim, seguram-se as horas
de um mundo por descobrir. Uma 
nova riqueza sobeja-me no sangue 
e há uma viagem em segredo por fazer.

Entreguei a alma. 
Que será do Amor, quando o futuro
continuar a crescer fora de mim?"

@SChainho, 15 de Janeiro, 2019



[Nebulosa de Órion, retirado de: https://www.apolo11.com]

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O Espelho

“Não era a vaidade que a atraia para o espelho, 
mas o espanto de descobrir-se.” (Milan Kundera)

E naquele dia, descobriu-se como nunca antes se descobrira
Levantou-se, sem vaidades,
Manhã submersa, clara, cinzenta e fria 
e não fez perguntas, 
nem ensaios, nem rodeios ou escolhas... não podia!
A mesma rotina, as mesmas horas, a mesma certeza
E, assim, de braços dados com o azulejo frio da parede
e o olhar constante de quem nada tinha para dizer,
defrontou-se apenas com aquele gigante, 
dividido em fragmentos eternos e penetráveis 
invadindo a alma em golfadas de silêncio,
a que chamamos vida e que pesa, pesa muito...
Um peso em forma de fronteira a marcar os limites 
da possibilidade humana entre países desconhecidos 
E, logo ali, a estação intermédia do tempo em que mergulhava
Afigurou-se-lhe como se fosse uma pluma 
a cair numa serenidade cruel e inverosímil sem chão 
certo para a acolher.
Agora, de cada vez que olhar para o espelho,
descobre o amor escondido e são,
nas metáforas da carne e da pele que nunca conheceu.
SChainho
(18/10/2016)

[Retirado de: http://alemdamidia.info]

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Escada em espiral

"Não raras as vezes, acordo a meio da noite e, no meio de um sonambulismo entorpecido, desço as escadas em espiral até ao rés-do-chão da casa que vi nascer para me encontrar com as palavras. Uma intimidade profunda, como quem beija em segredo e ama com todas as veias de um corpo sedento de desejo. Essa casa dos meus pais, feita de carne e de sangue, de onde emana sempre um forte odor de aconchego e calor humano que me envolve a alma. Aquela que, tal como afirmara David Mourão-Ferreira, parece sempre “aquecida por um lareira que nunca precisou de lá existir”.

@SChainho, In Pensamentos