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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Bagagem

"há na bagagem um cheiro a terra
que surge do nada, sempre que piso as madrugadas
cada um tem a sua e estão sempre cheias. as bagagens, claro!
porque as madrugadas não podem estar cheias se pensarmos
que é na noite que nos entregamos cegamente às ilusões
e ao abandono ao qual nos afeiçoámos.
depois de um passeio enviesado pelas nesgas das ruas
vazias de amor, surgem-me na memória os rostos nunca
esquecidos dos que imploraram pela vida
com os olhos fartos de tanta angústia. Sombras de um calendário
que se entranha de forma abrupta na carne aquecida pelo sol.
como não sei bem o que ando por ali a fazer
e as pernas devolvem-me a Liberdade que muitos
nunca chegam a conhecer
pego na chave de casa e dou-lhe o direito de me trazer
a Felicidade. Avassaladora e sem arestas."
SChainho@
[Foto retirada de: lounge.obviousmag.org]

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O Espelho

“Não era a vaidade que a atraia para o espelho, 
mas o espanto de descobrir-se.” (Milan Kundera)

E naquele dia, descobriu-se como nunca antes se descobrira
Levantou-se, sem vaidades,
Manhã submersa, clara, cinzenta e fria 
e não fez perguntas, 
nem ensaios, nem rodeios ou escolhas... não podia!
A mesma rotina, as mesmas horas, a mesma certeza
E, assim, de braços dados com o azulejo frio da parede
e o olhar constante de quem nada tinha para dizer,
defrontou-se apenas com aquele gigante, 
dividido em fragmentos eternos e penetráveis 
invadindo a alma em golfadas de silêncio,
a que chamamos vida e que pesa, pesa muito...
Um peso em forma de fronteira a marcar os limites 
da possibilidade humana entre países desconhecidos 
E, logo ali, a estação intermédia do tempo em que mergulhava
Afigurou-se-lhe como se fosse uma pluma 
a cair numa serenidade cruel e inverosímil sem chão 
certo para a acolher.
Agora, de cada vez que olhar para o espelho,
descobre o amor escondido e são,
nas metáforas da carne e da pele que nunca conheceu.
SChainho
(18/10/2016)

[Retirado de: http://alemdamidia.info]

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Personagens improvisadas

foi no rescaldo do dia que fizeste aparecer
o ruído das horas a estalar dentro do peito
sempre essa forma incontida de dizer
a sorrir que a vida é para lá de elegante
nesse instante renasceu uma fonte
quase inexistente de instinto humano
que se repartiu por entre a beleza da razão
e a inteligência refinada da emoção
tal e qual duas personagens improvisadas
sem nunca ultrapassar essa sublime fronteira
ficámos assim a braços com o distante
figuras de proa numa simplicidade contagiante...

SChainho, In Devaneios NoCturnos

[Arlequim e Colombina. Retirado de http://www.culturamix.com/]

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Prelecções

e há homens que sonham em ser pais
e ocupam o tempo nos tribunais
e fazem da vida uma intriga
e gastam saliva a falar do mundo

pois eu busco sombras entre os pinhais
a terra batida e aquecida
eu procuro a areia gasta e o sol de Inverno
eu procuro o meu corpo entre os teus braços
e consigo ver a brandura nos teus olhos lassos
eu dou-me ao mar como as gaivotas se dão à terra
e nunca vou por onde vão os demais

eu levo aos ombros uma carga de sinais
e sou a esperança deles serem meus
eu sou o entusiasmo próprio de alguém
que consegue ver um pouco mais além
eu sou a vida a ser vivida
e sou o nada para lá do cais

absorvo o tempo e aguardo…
eu vim ao mundo foi p’ra me ver
e por vezes sinto dor e febre de viver
e por vezes sinto os Abismos a correr nas veias
e quero-me em toda a parte
dar-me ao vento e à leviandade

como uma mão que tacteia na escuridão
e que empurra a minh’alma para a imensidão
um dia sonhei como os homens que querem ser pais
mas tornei-me no próprio limbo das águas furtadas
hoje sou o pó dos caminhos revoltos
e o som das chuvas triviais

[Abril, 2011]

@SChainho In Pensamentos


[Imagem retirada dethousandimages.com, Lisboa]

quinta-feira, 19 de março de 2015

Pai, amor perfeito

"Há uma chama que nunca se apaga,
Um abraço que sempre se eterniza,
Uma presença que marca ao longe,
Uma voz que nunca se cala.

É no silêncio que nos encontramos,
Na busca incessante e perene de um aconchego contido
Nas palavras que não dizemos, não precisamos

É sempre ontem, hoje e amanhã,
Não tem hora, dia e mês
Não tem cor, religião, nação ou razão
É sempre hoje, sempre

Porto de abrigo à espera de um navio ao longe,
Fome deserta que nunca se finda
Coração da terra, amor perfeito

És diálogo inacabado e sempre vivo
És o resumo do mundo, és princípio e fim
És tu o poema que nunca dorme
Para lá da vida que se entranha em mim"

@SChainho

[Retirado de Fotografodigital.com.br, Pai e filho no pôr do Sol]

segunda-feira, 9 de março de 2015

Finisterra


"Nos caminhos da sorte, vejo-te na muralha dos desejos
Atravessando pontes silenciosas numa linha incontida
Fazes falta aos que não acreditam, aos ultrajados da vida
Transportas na bagagem solitária sonhos em sobressalto
E almas ancoradas ao abrigo de um barco em finisterra
És assim, feito de sombra e de luz, cetim e basalto"

@SChainho, In Pensamentos

                                                                 [Retirado do Blog RisingCities Espanha, Galicia]

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Que seja infinito

"É na sombra desprotegida do tempo que apareces,
Na penumbra das horas, nos recantos mais secretos de mim
E é sempre dia quando estás e mesmo quando não estás
Não há noite mais quente do que aquela em que dizes,
por entre a insolvência da vida e a certeza do fim,
‘quero-te para sempre’"


@SChainho, In Pensamentos

[Retirado do Blog: Cookie Crumbs Inc]

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

"Aconteceste-me!


Na rua da vida, estradas humanas cruzam-se,
Os medos e os sonhos andam de mãos dadas
Com a noite fria de inverno.
E na rua, na tal onde nos cruzámos,
A harmonia atravessava a carne em brasa.
Semeaste, nessa noite fria, numa noite escura,
A verdade em mim.
Aconteceste-me!"
@SChainho, in Pensamentos
(25 jan, 2015)

[Foto retirada do Blog: Contos de uma história sem fim!]