Entre, o palco é seu!

Entre, o palco é seu... Seja bem vindo!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

FINITUDE

“Ficaram na pele um do outro até cegarem de emoção. Transpirava neles o desejo de amar até ao fim dos seus dias, mas recusaram-se a pensar no futuro e no fim dos dias.
No exacto momento em que o desejo chegou, responderam aos impulsos e entregaram-se com a intensidade de uma onda a invadir chão alheio. Levados pela emoção e carência do momento, trouxeram de mãos dadas a felicidade a rebentar pelas costuras e acreditaram que ela duraria, quem sabe para sempre, por entre as brechas da imperfeição.
E durou…
Ah, mas eles fizeram-na durar até ao dia em que a estrada se quebrou e o óbvio aconteceu – ele levou o calor do seu corpo para outro e ela espalhou o silêncio entre eles para abafar o inverno que crescia dentro dela.
“Estou farto de tudo”, disse-lhe ele com uma certeza mais abrupta do que um terramoto.
“E eu também…”, gritou ela para dentro do ar que custava a respirar e esperou que a calma e o descanso invadissem o espaço que era deles, para depois se apresentar como solução, mas já não havia solução. Ele acreditou já não haver solução.
Colocaram, ali mesmo, ele de uma maneira e ela de outra, um ponto e vírgula numa convivência “leve e saudável” e aos poucos mataram a necessidade que tinham de existir um pelo outro. Aquela mesma necessidade que, em tempos, encurtou a enorme e violenta distância que existia entre eles, no dia em que se cruzaram pela segunda vez. Na primeira, estavam demasiado ocupados a levar as suas vidas “perfeitas” e solitárias, num mundo imperfeito e sobrelotado.
Ela chegou pé ante pé, pegou na cabeça dele, encostou-a a ela e fez-lhe um último pedido,
“Olha por ti…Cuida-te, por favor.”
E foi nesse preciso momento que descobriram que o amor que sentiam um pelo outro e que deixaram escapar por entre as mãos, era mais do que isso, era para além disso, estendia-se para um tempo e um espaço que não souberam definir. Nunca saberão.
Ficaram assim, por breves instantes, agarrados como almas gémeas que não eram, enquanto os olhos grandes do felino lamentavam aquela perda. Dos deles, caíam lágrimas em catadupa que se fundiram com as dela antes de embaterem no chão agreste da cozinha. Levantaram-se, caminharam de costas voltadas, como devia ser, e seguiram caminhos opostos, sempre sem olhar para trás!     
E ficaram a pensar que aquilo não era amor… Não era não, era mais do que isso, era para além disso! Aquilo era a reinvenção da inocência e a consciência de uma morte anunciada. Aquilo era o fim dos fins e sabiam que nada mais havia a fazer. Não quiseram mais lutar. Nada mais havia para lutar. Ainda assim, fizeram como as árvores, morreram de pé, mesmo depois do ponto final."


In Pensamentos, @SChainho


sábado, 18 de janeiro de 2014

Mundo kafkaniano

A mesa do escritório estava cheia de papéis, livros e pó por limpar. Num dos cantos, junto ao candeeiro, eles estavam em pilha à espera de serem lidos e dissecados. Sim, os malditos testes! Nunca me habituara à ideia de terminar um ano lectivo carimbando os alunos com um número. Peguei na esferográfica verde e comecei a penosa tarefa. De repente, entrei em transe! Num deles, alguém escrevera sobre os povos desconhecidos da época dos Descobrimentos:
 “Antigamente, as pessoas andavam sem cabeça e as que a tinham, normalmente, andavam com ela debaixo do braço.” Li novamente, não havia dúvida! A resposta parecia saída de um filme de terror! Recostei-me na cadeira para aliviar a massa cinzenta. Estes rasgos de criatividade kafkanianadeixavam-me extasiada e boquiaberta, por vezes, havia momentos que sentia frustração, como se o mundo me caísse ou me devorasse.
Abri a porta e saí de rompante para aclarar ideias e afastar o calor que crescia nas entranhas. A cabeça, essa, apeteceu-me desatarraxá-la e deixá-la ali! Subi as escadas para o piso superior num passo lento e arrastado.
Sentada à lareira, a minha mãe via o tempo escorrer-lhe das mãos. Os braços balançavam por entre as pernas e a cabeça tombava, enquanto as lágrimas caíam no chão frio da sala. Largou um suspiro e assim ficou, tal e qual uma estátua imóvel e impenetrável, absorta em mundos alheios e complexos como as fórmulas matemáticas ou os raciocínios de Nietzsche. Era assim, havia já dois anos, desde que o meu pai perdera, também ele, a cabeça e saíra de casa sem deixar rasto. Lugar-comum, foi comprar cigarros e esqueceu-se de voltar… Amor confundia-se com obsessão e acabar com a vida assemelhava-se a um prelúdio de rejuvenescimento que ela desejava ardentemente alcançar.
O meu irmão entrava e saía de casa, apenas largando um bom dia ou um boa noite, indiferente à dor, à consternação, à violência emocional... Naquela casa, meio abandonada e submersa num caos insipiente, eu sentia o fardo da liderança.
Encostei a porta e, antes de deixar aminha mãe acompanhada dos seus fantasmas, dei-lhe um abraço apertado e comovido sem qualquer palavra. Passei pelo quarto do meu irmão, que acabara de fechar delicadamente a porta para se entregar ao seu pequeno grande universo desconhecido e ambíguo, e fui até ao meu. Quantas vezes, também sinto necessidade de colocar a cabeça debaixo do braço ou levá-la ao colo, para que possa aliviar deste mundo. Renascer, seria a palavra indicada! Renascer!
Deitei o corpo com vontade na cama limpa, feita com os lençóis brancos de linho, e a cabeça ficou a ver aquele espectáculo. Sim, ela não quis entrar! Deixou-se ficar do lado de fora da porta a desejar que amanhã fosse diferente de hoje.

Sónia Chainho In Pensamentos

"Geopoliticus Child Watching the Birth of the New Man", by Salvador Dali

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Neste país que é o meu, o teu, o nosso…


Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar com o que eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar
.” FP


Num país que sofre todos os dias mudanças e reestruturações nunca antes vistas pós 25 de Abril e à velocidade de um tornado, tenho para mim que é preciso fazer cumprir o espírito de Fernando Pessoa;

Num país em que a Crise anda de braços dados com inconstâncias, incongruências, atropelos e euforias no mundo da Educação de jovens e professores (Tão cara e fundamental à sanidade mental e progresso de uma nação!);

Num país que atravessa duras provações a todos os níveis e que carece de gente idónea, pronta e vencedora de todos os lados (governantes e governados)

Num país que sofre com os erros de um passado (um passado-recente) e que aparentemente não sabe aprender com as falhas do presente,

Neste país,
Neste país que é o meu,
Neste país que é o teu,
Neste país que é o nosso, que, lá bem no íntimo QUEREMOS, AMAMOS, DESEJAMOS, mais que tudo:

Onde nunca ficámos anquilosados perante as crises, danos e terrores, pois que nunca estivemos tão preparados para enfrentar “O Adamastor” como agora;

Onde os pobres, os tristes, os desafortunados e desajeitados encontram-se no mesmo barco dos que se alardeiam, corrompem, corroem e usurpam, a pequenez, se é que ela existe, é tosca e é de TODOS!

É impreterível firmar a grandeza da alma (porque essa sim nunca foi pequena!), e de uma vez por todas perceber que é necessário uma rota conjunta, num único sentido!

A vontade e motivação de SABER e de FAZER mais e melhor à procura de um caminho que nos conduza a bom porto, nunca foram tão importantes como agora;

A luta neste sentido deverá ser permanente e sem amarras colocando na linha da frente os nossos princípios e deixando de parte os maneirismos.

Precisamos de conselhos sim, precisamos de direcções, de precisões, de modificações e “homens do leme”, destemidos e audazes, capacitados e indomáveis! Sim, precisamos! Sempre precisámos!

Precisamos de correr riscos e aproveitar as novidades do Mundo, nunca deixando de ser quem somos! De nos atarmos ao leme e de apanhar o barco, seja ele qual for!

Mas precisamos, acima e para além de tudo, de um rumo certeiro!
Enquanto não acertamos, andamos à deriva, em mar alto, desesperadamente à procura de se “fazer cumprir Portugal”!

 (Retirado de: http://linguaportuguesa9ano.files.wordpress.com/2009/11/adamastor3.jpg)

Nunca como hoje, estive tão agradecida aos que, no MUNDO da EDUCAÇÃO e do ENSINO, me ajudaram a pensar, a criar, a crescer, a fazer, a caminhar, a lutar, a sonhar, a viver, a não desistir, a levar mais longe o pouco que sei, a aprender o muito que não sabia, a atrever-me todos os dias e, quem sabe, a trilhar outras rotas!

Aos meus professores, educadores, orientadores, conselheiros, directores, colegas e amigos, bem-hajam! 

Bem-hajam, meus queridos alunos!

Texto ao abrigo da antiga grafia.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Touros: uma tradição com “cultura” e “amor”

Meus amigos e seguidores,

Um VOTO (5***** perto do título, nas estrelas do lado direito), para um mundo melhor para as nossas gerações futuras! Pelo fim da tortura! ;)  Obrigada


Touros: uma tradição com “cultura” e “amor”

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Peregrinação: Quando a fé tem o rosto de um caminho...


O acto de peregrinação (caminhar “para” ou “por algo”), como expressão máxima da  e da espiritualidade, assume-se como uma força transcendente na relação humana com o sobrenatural e na sua consequente materialização. Veja aqui, como a fé pode estar num caminho...

http://todosjuntos.info/peregrinacao-quando-a-fe-tem-o-rosto-de-um-caminho-87/#.UmUyZXCkrEU

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Alguma vez apanhou uma bebedeira de emoções?


Artigo subordinado às nossas emoções, aos nossos sentidos, a tudo o que nos faz humanos.



"Orgulhosamente sós"


Artigo sobre o nosso PATRIMÓNIO CULTURAL PORTUGUÊS.

Visitem o link, deixem a vossa opinião, partilhem...

Obrigada



Tempos de escravatura...

Caríssimos,

Eu sei, eu sei que tenho andado arredada, mas não tenho, apenas camuflada!

Deixo-vos 3 artigos, da minha autoria, que estão a ser publicados em Blogs (não são meus, mas de dois jornalistas portugueses). Espero que gostem, que leiam, que se inquietem como eu me inquieto, que PARTILHEM, publicitem na vossa rede de amigos (face, email, etc). Deixem o vosso testemunho nos referidos Blogs!

O "palco" é vosso! Podem levar o que aqui é partilhado!

Obrigada aos que me lêem :)












sexta-feira, 1 de março de 2013

Holocausto nazi (Shoá) - Memória e Vida (ESETN)

Caríssimos,

Volvidos alguns meses da "viagem a outro mundo", eis que surge a oportunidade de reviver emoções, imagens e sensações, na Escola Superior de Educação (ESETN). Inserida na Semana da Cultura, que decorreu entre os dias 18 e 22 de fevereiro de 2012 na ESETN, a exposição: Holocausto Nazi (Shoá) - Memória e Vida, foi apenas o mote para o rol de atividades com quais a comunidade educativa foi presenteada. Os ouvintes estiveram atentos, comentaram e comoveram-se. Obrigada a todos pela presença.

Recordar para nunca mais esquecer! 
27 de Janeiro
Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto Nazi
 
"Quem sobreviveu não consegue explicá-lo,
Quem não o viveu não consegue compreendê-lo,
Quem viveu ali não consegue sair
Quem não o viveu, nunca poderá entrar." Elie Wiesel




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Uma noite com ATLAS


No Teatro Virgínia, Ana Borralho e João Galante, do Festival Materiais Diversos, devolveram a ATLAS  a penosa tarefa de suportar os céus aos ombros e a nós, aos participantes desta aventura imaginária, a vontade de caminhar e de elevar a voz por um novo amanhã, na qual o palco se fundiu com a vida real.
Um grito de alerta nos dias de hoje, uma manifestação de palco no seu maior esplendor.

Obrigada aos que estiveram presentes!

E fizeram-se em artistas! Dia 29 de Setembro de 2012)