Entre, o palco é seu!

Entre, o palco é seu... Seja bem vindo!

segunda-feira, 9 de março de 2015

Finisterra


"Nos caminhos da sorte, vejo-te na muralha dos desejos
Atravessando pontes silenciosas numa linha incontida
Fazes falta aos que não acreditam, aos ultrajados da vida
Transportas na bagagem solitária sonhos em sobressalto
E almas ancoradas ao abrigo de um barco em finisterra
És assim, feito de sombra e de luz, cetim e basalto"

@SChainho, In Pensamentos

                                                                 [Retirado do Blog RisingCities Espanha, Galicia]

segunda-feira, 2 de março de 2015

Viver das palavras e amá-las...

 Abençoada alegria que me chega pelas palavras que eu tanto amo...
"SChainho é uma das autoras de “Entre o Sono e o Sonho”, da Chiado Editora, que vai reunir centenas de poetas contemporâneos no Casino de Lisboa, dia 21 de Março".



domingo, 22 de fevereiro de 2015

Tempo suspenso

"Enquanto cerrava os olhos e estalava os dedos das mãos, desenhava-te na minha pele e quebrava o tempo suspenso nas margens do mundo para sentir que o que fazia não era ligeiro, deixava marcas. O céu quase me abraçava e sentia-o como se me arrancasse do chão para me levar para lá da tentação, para me fazer acreditar nas emoções e no mar lânguido e sorvido dos rochedos acostados nas sombras de ti."

@SChainho, In Pensamentos


[Mulher a óleo, de Soledad Fernandez]

Terra desconhecida

"Em tempos, viveu com os tímpanos perfurados, os olhos cosidos e as mãos cortadas. Apenas conseguia escrever com os pensamentos. As asas, essas, cortaram-lhas e viu-as desfazerem-se numa estrada enegrecida bordada a sombras de linho. Ainda assim, não deixou de seguir caminho, em vez de voar caminhou por entre mexas da imperfeição até uma terra desconhecida."

@SChainho, In Pensamentos


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Que seja infinito

"É na sombra desprotegida do tempo que apareces,
Na penumbra das horas, nos recantos mais secretos de mim
E é sempre dia quando estás e mesmo quando não estás
Não há noite mais quente do que aquela em que dizes,
por entre a insolvência da vida e a certeza do fim,
‘quero-te para sempre’"


@SChainho, In Pensamentos

[Retirado do Blog: Cookie Crumbs Inc]

Inocência

"[...] Tenho saudades do tempo em que
Eu mesma era um poema que se escrevia sozinho
Esse tempo de profundas e nostálgicas inocências
Onde a voz do povo me acompanhava
E as sombras das árvores eram simples confidências [...]"

@SChainho, In Pensamentos

[Imagem retirada de: http://ultradownloads.com.br/papel-de-parede/Visao-Inocente/]

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Escada em espiral

"Não raras as vezes, acordo a meio da noite e, no meio de um sonambulismo entorpecido, desço as escadas em espiral até ao rés-do-chão da casa que vi nascer para me encontrar com as palavras. Uma intimidade profunda, como quem beija em segredo e ama com todas as veias de um corpo sedento de desejo. Essa casa dos meus pais, feita de carne e de sangue, de onde emana sempre um forte odor de aconchego e calor humano que me envolve a alma. Aquela que, tal como afirmara David Mourão-Ferreira, parece sempre “aquecida por um lareira que nunca precisou de lá existir”.

@SChainho, In Pensamentos



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

No colo

“Chegado o momento, beijaste-me prolongadamente e com firmeza. Disseste, sem pejo e demagogia: ‘Não podemos ficar aqui, está frio, muito frio! Anda, vamos, quero fazer amor contigo’. Pegaste em mim, como se nunca o tivesses feito, como se aquela fosse a nossa última vez. Carregaste-me no colo, como um pai que embala um filho em tempo bélico, e atravessaste uma escadaria corroída pelo tempo até ao primeiro andar. Enquanto isso, o soalho antigo rangia, num compasso lento e soletrado, como uma espécie de impedimento da felicidade. Eras sempre assim, dizias e fazias as coisas como se não houvesse amanhã. 
E, naquele momento, não deixámos que houvesse amanhã.”

A incluir no "Próximo devaneio literário" de SChainho

[Foto retirada do Blogoom do xdoom]

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

"Aconteceste-me!


Na rua da vida, estradas humanas cruzam-se,
Os medos e os sonhos andam de mãos dadas
Com a noite fria de inverno.
E na rua, na tal onde nos cruzámos,
A harmonia atravessava a carne em brasa.
Semeaste, nessa noite fria, numa noite escura,
A verdade em mim.
Aconteceste-me!"
@SChainho, in Pensamentos
(25 jan, 2015)

[Foto retirada do Blog: Contos de uma história sem fim!]

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

FINITUDE

“Ficaram na pele um do outro até cegarem de emoção. Transpirava neles o desejo de amar até ao fim dos seus dias, mas recusaram-se a pensar no futuro e no fim dos dias.
No exacto momento em que o desejo chegou, responderam aos impulsos e entregaram-se com a intensidade de uma onda a invadir chão alheio. Levados pela emoção e carência do momento, trouxeram de mãos dadas a felicidade a rebentar pelas costuras e acreditaram que ela duraria, quem sabe para sempre, por entre as brechas da imperfeição.
E durou…
Ah, mas eles fizeram-na durar até ao dia em que a estrada se quebrou e o óbvio aconteceu – ele levou o calor do seu corpo para outro e ela espalhou o silêncio entre eles para abafar o inverno que crescia dentro dela.
“Estou farto de tudo”, disse-lhe ele com uma certeza mais abrupta do que um terramoto.
“E eu também…”, gritou ela para dentro do ar que custava a respirar e esperou que a calma e o descanso invadissem o espaço que era deles, para depois se apresentar como solução, mas já não havia solução. Ele acreditou já não haver solução.
Colocaram, ali mesmo, ele de uma maneira e ela de outra, um ponto e vírgula numa convivência “leve e saudável” e aos poucos mataram a necessidade que tinham de existir um pelo outro. Aquela mesma necessidade que, em tempos, encurtou a enorme e violenta distância que existia entre eles, no dia em que se cruzaram pela segunda vez. Na primeira, estavam demasiado ocupados a levar as suas vidas “perfeitas” e solitárias, num mundo imperfeito e sobrelotado.
Ela chegou pé ante pé, pegou na cabeça dele, encostou-a a ela e fez-lhe um último pedido,
“Olha por ti…Cuida-te, por favor.”
E foi nesse preciso momento que descobriram que o amor que sentiam um pelo outro e que deixaram escapar por entre as mãos, era mais do que isso, era para além disso, estendia-se para um tempo e um espaço que não souberam definir. Nunca saberão.
Ficaram assim, por breves instantes, agarrados como almas gémeas que não eram, enquanto os olhos grandes do felino lamentavam aquela perda. Dos deles, caíam lágrimas em catadupa que se fundiram com as dela antes de embaterem no chão agreste da cozinha. Levantaram-se, caminharam de costas voltadas, como devia ser, e seguiram caminhos opostos, sempre sem olhar para trás!     
E ficaram a pensar que aquilo não era amor… Não era não, era mais do que isso, era para além disso! Aquilo era a reinvenção da inocência e a consciência de uma morte anunciada. Aquilo era o fim dos fins e sabiam que nada mais havia a fazer. Não quiseram mais lutar. Nada mais havia para lutar. Ainda assim, fizeram como as árvores, morreram de pé, mesmo depois do ponto final."


In Pensamentos, @SChainho