Entre, o palco é seu!

Entre, o palco é seu... Seja bem vindo!

domingo, 21 de junho de 2015

"Um dia branco"

"Um dia branco
Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.

Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.

Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.

Um dia em que se possa não saber."
SMBAndresen


sábado, 13 de junho de 2015

Um dia Grande

ontem foi um dia Grande,
sim, ontem foi um dia muito Grande
foi o dia das imagens, da pureza do olhar
que não tem palavras, da verdade, 
da crença, da certeza dos recomeços,
da bondade e das recompensas

um dia em que a grandeza dos afectos,
a força dos abraços e a beleza dos sorrisos
não teve limites, não teve amarras
o dia crepitou na pele, semeou coragem,
revelou sabedoria, cresceu a valentia...

ontem, foi o dia do transbordar da alma,
da luta e do combate contra as amarguras
a caírem no poente, foi o momento 
de caminhar por entre as muralhas
a esmagar a insegurança do futuro,
o culminar de um percurso aquecido 
pelo sangue do poema que se fez

sim, ontem eu vi claramente
as vossas faces orientadas para a luz
que iluminará  esse longo percurso
quando vierem as próximas encruzilhadas

Bem hajam!
[Com amor e carinho, para L&M]


[Imagem retirada de: http://frasesteengirl.blogspot.pt]

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Personagens improvisadas

foi no rescaldo do dia que fizeste aparecer
o ruído das horas a estalar dentro do peito
sempre essa forma incontida de dizer
a sorrir que a vida é para lá de elegante
nesse instante renasceu uma fonte
quase inexistente de instinto humano
que se repartiu por entre a beleza da razão
e a inteligência refinada da emoção
tal e qual duas personagens improvisadas
sem nunca ultrapassar essa sublime fronteira
ficámos assim a braços com o distante
figuras de proa numa simplicidade contagiante...

SChainho, In Devaneios NoCturnos

[Arlequim e Colombina. Retirado de http://www.culturamix.com/]

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Há-de vir o dia...

tão grande e pesado é o sonho que trazes na algibeira
que cresce por entre as tuas mãos abertas ao sol nascente
enquanto percorres um caminho de pedras atapetado
é pela manha que trazes o vento agarrado à tua vontade
esse desejo dilatado e transparente de eclodir
por entre as ondas do mar e de navegar em liberdade
onde o sossego te aguarda como uma mãe a um filho
há-de vir o dia em que embalado pelo calor humano
que encontras na curva sinuosa dos silêncios
suspensos num corpo desconhecido
afastarás os mil cansaços que te acompanham
e guiado pelo farol de uma sobranceira felicidade
caminharás em passos largos ao teu encontro
ainda que eu morra sem que tu chegues
há-de vir o dia…

@SChainho, In Devaneios Nocturnos

[Costa alentejana, 2014, autoria @SChainho]


terça-feira, 21 de abril de 2015

Fica difícil...

Fica difícil não atravessar a porta por onde
Encontro o deserto sombrio da tua presença
Fica difícil o cair da noite e as brumas da memória
A tecer as muralhas do horror que crescem ao teu redor
Fica difícil o caminho escuro que percorro
Na estranheza do mundo perdido em que te tornaste
Fica difícil livrar-te desse oásis corrupto
Onde a fartura da mentira rompe a serenidade e a leveza
Fica difícil fazer germinar a crença da bondade
No meio da virtude que desconheces
Fica difícil mascarar a impostura com a verdade
Onde a podridão permanece como se fosse um sonho
Fica difícil não afastar a dor e a vergonha
De um dia ter habitado o castelo de papel
Onde a maldade cresceu e o abandono não teve fim
Fica difícil…

@SChainho, In Devaneios Nocturnos

[Retirado de: http://www.themescompany.com]

domingo, 19 de abril de 2015

Uma terra sem mapas...

“Meu amor, estou à tua espera…
Quanto dura um dia quando está escuro? E uma semana? O fogo apagou-se. 
Tenho muito frio. [...] Morremos.
Morremos ricos com amantes e tribos, gostos que experimentámos, corpos em que penetrámos e em que nadámos como rios. Medos em que nos escondemos… 
Quero tudo isto marcado no meu corpo. Nós somos os verdadeiros países. 
Não as fronteiras marcadas em mapas com nomes de homens poderosos. 
Sei que virás e me levarás para o palácio dos ventos. É tudo o que quis. Passear nesse lugar contigo e com amigos. Uma terra sem mapas [...].”

(In O Paciente Inglês)

[Mar Português, da minha autoria @SChainho]



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Ofereço-te os beijos

"na sombra do teu olhar há uma forma perfeita
de dizer que o mundo é para ser sentido sem dor
palpitam desejos translúcidos de forças íntimas  
a cair pelo céu aberto da esperança que te aconchega

despido do medo entregas-me esse teu jeito
de amar como as árvores em tempo de solidão
e agarrada às palavras que vagueiam nos teus braços
ofereço-te os beijos suspensos na minha poesia
que espalho sem pudor nas noites em subversão" 

@SChainho, In Devaneios Noturnos 

[Imagem retirada de: http://ericarufato.blogspot.pt]

terça-feira, 7 de abril de 2015

É hora...

"há no horizonte sem fim uma descerrada escuridão
que sempre prevalece antes de chegar a liberdade
uma tormenta suspensa na eternidade do teu olhar
preenche as folhas vazias no livro da tua imperfeição
é hora dos silêncios e dos gestos a percorrer a verdade
é hora de abraçar os recantos fiéis da tua sabedoria
é hora de trazer essa imagem que inunde o presente
sim é hora de percorrer as veias do teu pensamento
e com as minhas mãos derramar em ti o gosto puro
da minha presença a caminhar na tua imensidão"

@SChainho In Devaneios Nocturnos

[Retirada de johannomenor.blogspot.com]

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Segredos da terra

[...] tenho saudades desses outros tempos
dos tempos em que mesma era um rio aberto
que seguia pelos segredos da terra
sem medo a soletrar as veias da serra
e sozinha caía como água pura entre as rochas
na esperança de abraçar o sonho que eras tu [...]

@SChainho In Pensamentos

[Queensland, Austrália em http://tedytravel.com]

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Prelecções

e há homens que sonham em ser pais
e ocupam o tempo nos tribunais
e fazem da vida uma intriga
e gastam saliva a falar do mundo

pois eu busco sombras entre os pinhais
a terra batida e aquecida
eu procuro a areia gasta e o sol de Inverno
eu procuro o meu corpo entre os teus braços
e consigo ver a brandura nos teus olhos lassos
eu dou-me ao mar como as gaivotas se dão à terra
e nunca vou por onde vão os demais

eu levo aos ombros uma carga de sinais
e sou a esperança deles serem meus
eu sou o entusiasmo próprio de alguém
que consegue ver um pouco mais além
eu sou a vida a ser vivida
e sou o nada para lá do cais

absorvo o tempo e aguardo…
eu vim ao mundo foi p’ra me ver
e por vezes sinto dor e febre de viver
e por vezes sinto os Abismos a correr nas veias
e quero-me em toda a parte
dar-me ao vento e à leviandade

como uma mão que tacteia na escuridão
e que empurra a minh’alma para a imensidão
um dia sonhei como os homens que querem ser pais
mas tornei-me no próprio limbo das águas furtadas
hoje sou o pó dos caminhos revoltos
e o som das chuvas triviais

[Abril, 2011]

@SChainho In Pensamentos


[Imagem retirada dethousandimages.com, Lisboa]